Alepe promove curso de capacitação para jovens parlamentares

ELEPE  – Formação busca fortalecimento da atuação política e aprimoramento das práticas legislativas

Nos dias 13 e 14 de fevereiro, a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) em parceria com a Frente Jovem Parlamentar realizará o “Curso de Atualização para Jovens Parlamentares”. O evento, produzido pela Escola do Legislativo (Elepe), acontecerá no Auditório Sérgio Guerra, da Alepe. A iniciativa tem como objetivo capacitar os vereadores da Frente Jovem Parlamentar e demais parlamentares municipais interessados no tema. As inscrições podem ser realizadas pelo formulário disponibilizado no Instagram da Elepe.

O curso busca proporcionar uma formação abrangente e prática, abordando desde o funcionamento do sistema legislativo até técnicas de elaboração de projetos de lei. Além disso, será um espaço de troca de experiências, fortalecendo a atuação dos jovens parlamentares. A programação contará com palestras ministradas pelos consultores legislativos da Alepe Daniel Sarinho, Mauro Carneiro e Cilano Barros.

Temas como “A Constituição e a função parlamentar – Competências do parlamento municipal, prerrogativas do mandato e poder fiscalizador”; ‘Técnica Legislativa e trâmite processual – Normas e processos legislativos essenciais”; “Comissões, audiências e participação popular – O papel dos vereadores na interação com a sociedade”; “Leis Orçamentárias e prestação de contas – Aspectos financeiros e de transparência da gestão pública” serão estudados durante o curso.

Conhecimentos

De acordo com o superintendente da Escola do Legislativo, José Humberto Cavalcanti, a iniciativa é fundamental para qualificar os novos parlamentares e contribuir para um mandato mais eficiente e comprometido com a população.

“A renovação política traz consigo grandes desafios, especialmente para os jovens parlamentares que iniciam sua trajetória legislativa. Nosso objetivo é oferecer conhecimento técnico e prático, capacitando-os para que exerçam suas funções com segurança, eficiência e responsabilidade. A formação contínua é essencial para fortalecer o papel do Legislativo e aproximá-lo ainda mais da sociedade”, destacou o superintendente.

Na avaliação do presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB), a formação tem grande relevância por disponibilizar conhecimentos imprescindíveis à atividade legislativa. “A Elepe, sempre atenta às demandas que surgem no serviço público, vai assegurar, como é de praxe, qualificação abrangente e de referência para jovens parlamentares, o que fortalece só o Legislativo e impacta positivamente a sociedade”, disse.

Serviço:

As inscrições podem ser realizadas pelo Instagram da Elepe (@escoladolegislativope).

Mais informações pelo e-mail: comunicacaoelepe@gmail.com ou pelo telefone (81) 3183-2469.

Alepe celebra com seminário os 200 anos da primeira constituição brasileira

PALESTRAS – O evento reuniu pesquisadores e estudantes no auditório Sérgio Guerra. Foto: Roberta Guimarães

O seminário 200 anos da Constituição do Império: dimensões políticas, jurídicas e históricas ocorreu nesta terça (6) no auditório Sérgio Guerra, na Alepe. O evento foi promovido pela Superintendência de Preservação do Patrimônio Histórico Legislativo e contou com debates e  palestras sobre a primeira constituição do Brasil.

Na palestra de abertura, a presidente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), Margarida de Oliveira Cantarelli, relacionou os bicentenários da constituição do Império e da Confederação do Equador, ambos comemorados em 2024. A professora de direito e desembargadora aposentada explicou que a carta magna apresentada pelo Império não foi elaborada com a colaboração dos representantes eleitos para esse fim pelas províncias, já que a assembleia constituinte convocada à época foi dissolvida por Dom Pedro. 

De acordo com Cantarelli, o texto constitucional outorgado em 1824 pendia mais ao absolutismo com a instituição do Poder Moderador, espécie de quarto poder que se sobrepunha ao Legislativo, ao Judiciário e ao Executivo e cuja titularidade era exercida pelo próprio imperador. A estrutura de Estado delineada pela carta imperial era de um governo unitário e centralizado no Rio de Janeiro, na contramão das ideias federalistas, liberais e anticoloniais que se propagam em diversos países. 

Dessa forma, a primeira carta magna do Brasil gerou frustração e pôs mais combustível na já inflamada insatisfação de parte da população pernambucana. Margarida Cantarelli indagou por que comemorar a Confederação do Equador, um movimento que foi derrotado. “A Confederação do Equador foi derrotada, mas as ideias que embasaram a tentativa de autonomia da província e de instauração de uma constituição mais liberal não foram derrotadas. Elas permanecem vivas até hoje, razão porque nós, ao celebrarmos o movimento derrotado, homenageamos aqueles que deram a vida pelo ideal, como Frei Caneca. Como ele próprio disse: ‘morre um liberal, mas não morre a liberdade’. Por outro lado, comemoramos para nos mantermos vigilantes, guardiões e guardiãs dessas ideias. Que elas nunca desapareçam” disse a professora.

BICENTENÁRIO – Margarida Cantarelli lembrou que a constituição do Império pendia para o absolutismo com a criação do Poder Moderador. Foto: Roberta Guimarães

Também participaram do evento os professores George Cabral de Souza (UFPE), que moderou as mesas redondas, Mariana Albuquerque Dantas (UFRPE), Jeffrey Aislan de Souza Silva (UPE), Flávio José Gomes Cabral (Unicap), Marcelo Casseb Continentino (UPE), André Vicente Pires Rosa (UFPE), André Melo Gomes Pereira (UFRN), Orione Dantas de Medeiros (UFRN) e Marcus Carvalho (UFPE), que fez a palestra de encerramento. 

Temas

A primeira mesa teve como tema A Constituição Imperial em Pernambuco: impactos sociais, políticos e administrativos e contou com a participação dos professores Flávio Cabral, Jeffrey Aislan de Souza Silva e Mariana Albuquerque Dantas. O primeiro falou sobre a conjuntura política da província de Pernambuco à época da Confederação do Equador e a insatisfação gerada pela constituição outorgada em algumas camadas da população pernambucana. Já o professor da Universidade de Pernambuco discorreu sobre a participação dos juízes e membros do que viria a ser o Poder Judiciário da província ao lado das forças imperiais para sufocar o movimento. A professora Mariana Dantas, estudiosa dos povos indígenas na história, ressaltou que a primeira constituição do País nem sequer fazia menção a essa parcela da população e destacou as formas, institucionais ou não, de que as pessoas indígenas lançavam mão para exercer a cidadania ao longo dos anos até a Constituição de 1988.   

Para o moderador do debate, George Cabral, a iniciativa da Alepe é interessante por reunir especialistas com pesquisas recém produzidas e que fazem ponte com a atualidade. “Essa é uma ação muito interessante por trazer especialistas de primeira qualidade sobre o tema que apresentam coisas novas, matérias recentemente pesquisadas e que fazem uma ponte com o presente. Essa iniciativa é fundamental também como divulgação, já que tivemos a presença dos estudantes de história, futuros professores que se beneficiam do debate promovido pela Alepe”, afirmou.  

Também participaram do seminário o superintendente da Escola do Legislativo, José Humberto Cavalcanti, e o deputado João de Nadegi (PV). De acordo com o parlamentar, o debate foi importante para entender melhor a primeira constituição do Brasil. “A Alepe promoveu um debate com professores, doutrinadores e alunos em que cada um pôde participar das palestras, ouvir e entender a constituição concebida há 200 anos e os reflexos dela na atualidade”, registrou.

RECONHECIMENTO – João de Nadegi ressaltou a importância de aprofundar o debate sobre a constituição imperial. Foto: Roberta Guimarães

O superintendente de Preservação do Patrimônio Histórico e Legislativo, José Airton Paes, destacou o papel fundamental que a Alepe tem na recuperação da memória deste período histórico. “Trouxemos esse evento para a Alepe para que fosse feita uma reflexão da constituição de 1824, que trouxe muitas revoltas, muitas lutas, e, hoje, temos que comemorar sua importância”, afirmou.

O superintendente geral da Alepe, Isaltino Nascimento, elogiou a superintendência responsável pela organização do evento e o papel de aproximação da Casa junto à comunidade acadêmica e população. “A constituição do Império é um momento significativo que dialoga muito com a importância de Pernambuco, que teve um protagonismo relevante na luta pela democracia e pela República”, destacou. 

Em abril, o programa Em Discussão, da TV Alepe, conversou sobre os 200 anos da constituição do Império com o professor Marcelo Kasseb. Confira aqui.

PATRIMÔNIO – José Airton Paes destacou o papel da Alepe na recordação sobre a primeira carta magna do País. Foto: Roberta Guimarães